Há uma diferença profunda
entre frequentar um culto e viver uma vida de adoração. É possível estar
presente na igreja, cantar, orar, ouvir uma mensagem e, poucas horas depois,
voltar aos mesmos hábitos e atitudes de antes. Nesse caso, algo foi
experimentado no culto, mas pouco foi transformado na vida.
A Bíblia apresenta a fé de
maneira muito mais ampla. Deus não procura apenas pessoas capazes de realizar
atos religiosos, mas pessoas cuja relação com Ele alcance a existência inteira.
Paulo escreveu: “Apresenteis
o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso
culto racional.” Romanos 12:1
O “sacrifício vivo” é a
própria vida colocada diante de Deus: nossas palavras, decisões,
relacionamentos, trabalho e escolhas.
A fé é testada longe da
igreja
Dentro da igreja, é
relativamente fácil assumir uma postura religiosa. O desafio aparece quando
somos contrariados, quando podemos levar vantagem sem sermos descobertos ou
quando precisamos escolher entre o que é conveniente e o que é correto.
Jesus ensinou: “Este povo
honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mateus 15:8
Existe uma distância
perigosa entre aquilo que dizemos diante de Deus e aquilo que praticamos longe
dele.
Por isso, Tiago escreveu: “Tornai-vos,
pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmo.”
Tiago 1:22
A Palavra não foi dada
apenas para aumentar nosso conhecimento religioso, mas para interferir na
maneira como vivemos.
A fé também aparece dentro
de casa
A casa é um dos lugares onde
nossa espiritualidade é mais revelada. Na igreja, as pessoas conhecem nossa
aparência; em casa, conhecem nosso caráter.
Nossa paciência, nossas
palavras e a maneira como tratamos aqueles que convivem conosco dizem muito
sobre aquilo que realmente cremos.
João escreveu: “Se alguém
disser: Eu amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não
ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” 1 João 4:20
Não podemos separar
completamente nossa relação com Deus da maneira como tratamos as pessoas.
O cotidiano também pode
honrar a Deus
Paulo escreveu: “Tudo
quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para
homens.” Colossenses 3:23
Isso inclui o trabalho, os
negócios, os compromissos e as decisões que ninguém vê.
Ser honesto quando seria
fácil enganar. Cumprir uma promessa. Reconhecer um erro. Recusar uma vantagem desonesta.
Perdoar sem receber reconhecimento.
Essas atitudes podem dizer
mais sobre nossa fé do que muitas palavras pronunciadas dentro da igreja.
Jesus também ensinou que
Deus vê aquilo que acontece em secreto (Mateus 6:4,6). É justamente
quando não existe plateia que muitas vezes revelamos quem realmente somos.
O culto precisa produzir
vida
Não há nada errado com a
emoção no culto. O problema está em confundir emoção com transformação. A
pergunta depois de uma mensagem não deveria ser apenas: “Eu gostei?”
Talvez seja mais importante
perguntar: “O que Deus está me pedindo para mudar?”
Jesus disse: “Se me
amais, guardareis os meus mandamentos.” João 14:15
O amor por Cristo não é
apenas uma declaração; ele aparece nas escolhas.
Quando dizer a verdade custa
alguma coisa. Quando perdoar fere o orgulho. Quando fazer o certo significa
perder uma vantagem. Quando permanecer fiel exige paciência.
Nesses momentos, a fé deixa
de ser discurso e se transforma em decisão.
A pergunta que permanece
O culto comunitário é
importante. A igreja reunida para orar, cantar e ouvir a Palavra faz parte da
vida cristã. Mas aquilo que recebemos no domingo precisa alcançar a
segunda-feira.
A Palavra precisa chegar ao
trabalho.
A oração precisa chegar às
decisões.
A fé precisa chegar aos
relacionamentos.
O arrependimento precisa
chegar aos hábitos.
Paulo resume: “E tudo
quanto fizerdes, seja em palavras, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor
Jesus.” Colossenses 3:17



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