O evangelho depois do amém


Vladimir Chaves

Há uma diferença profunda entre frequentar um culto e viver uma vida de adoração. É possível estar presente na igreja, cantar, orar, ouvir uma mensagem e, poucas horas depois, voltar aos mesmos hábitos e atitudes de antes. Nesse caso, algo foi experimentado no culto, mas pouco foi transformado na vida.

A Bíblia apresenta a fé de maneira muito mais ampla. Deus não procura apenas pessoas capazes de realizar atos religiosos, mas pessoas cuja relação com Ele alcance a existência inteira.

Paulo escreveu: “Apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Romanos 12:1

O “sacrifício vivo” é a própria vida colocada diante de Deus: nossas palavras, decisões, relacionamentos, trabalho e escolhas.

A fé é testada longe da igreja

Dentro da igreja, é relativamente fácil assumir uma postura religiosa. O desafio aparece quando somos contrariados, quando podemos levar vantagem sem sermos descobertos ou quando precisamos escolher entre o que é conveniente e o que é correto.

Jesus ensinou: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mateus 15:8

Existe uma distância perigosa entre aquilo que dizemos diante de Deus e aquilo que praticamos longe dele.

Por isso, Tiago escreveu: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmo.” Tiago 1:22

A Palavra não foi dada apenas para aumentar nosso conhecimento religioso, mas para interferir na maneira como vivemos.

A fé também aparece dentro de casa

A casa é um dos lugares onde nossa espiritualidade é mais revelada. Na igreja, as pessoas conhecem nossa aparência; em casa, conhecem nosso caráter.

Nossa paciência, nossas palavras e a maneira como tratamos aqueles que convivem conosco dizem muito sobre aquilo que realmente cremos.

João escreveu: “Se alguém disser: Eu amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” 1 João 4:20

Não podemos separar completamente nossa relação com Deus da maneira como tratamos as pessoas.

O cotidiano também pode honrar a Deus

Paulo escreveu: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens.” Colossenses 3:23

Isso inclui o trabalho, os negócios, os compromissos e as decisões que ninguém vê.

Ser honesto quando seria fácil enganar. Cumprir uma promessa. Reconhecer um erro. Recusar uma vantagem desonesta. Perdoar sem receber reconhecimento.

Essas atitudes podem dizer mais sobre nossa fé do que muitas palavras pronunciadas dentro da igreja.

Jesus também ensinou que Deus vê aquilo que acontece em secreto (Mateus 6:4,6). É justamente quando não existe plateia que muitas vezes revelamos quem realmente somos.

O culto precisa produzir vida

Não há nada errado com a emoção no culto. O problema está em confundir emoção com transformação. A pergunta depois de uma mensagem não deveria ser apenas: “Eu gostei?”

Talvez seja mais importante perguntar: “O que Deus está me pedindo para mudar?”

Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” João 14:15

O amor por Cristo não é apenas uma declaração; ele aparece nas escolhas.

Quando dizer a verdade custa alguma coisa. Quando perdoar fere o orgulho. Quando fazer o certo significa perder uma vantagem. Quando permanecer fiel exige paciência.

Nesses momentos, a fé deixa de ser discurso e se transforma em decisão.

A pergunta que permanece

O culto comunitário é importante. A igreja reunida para orar, cantar e ouvir a Palavra faz parte da vida cristã. Mas aquilo que recebemos no domingo precisa alcançar a segunda-feira.

A Palavra precisa chegar ao trabalho.

A oração precisa chegar às decisões.

A fé precisa chegar aos relacionamentos.

O arrependimento precisa chegar aos hábitos.

Paulo resume: “E tudo quanto fizerdes, seja em palavras, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus.” Colossenses 3:17

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