A igreja é de Cristo, não dos religiosos


Vladimir Chaves

Muitos têm confundido autoridade espiritual com superioridade espiritual. No entanto, ocupar um cargo na igreja não dá a ninguém o direito de humilhar, acusar ou condenar irmãos publicamente. O púlpito foi dado para anunciar o Evangelho, edificar vidas e conduzir pessoas a Cristo; não para alimentar ego, vaidade ou perseguições pessoais.

Jesus jamais usou Sua autoridade para expor pessoas com arrogância. Pelo contrário, confrontava justamente aqueles que aparentavam santidade diante dos homens, mas tinham o coração distante de Deus. A religiosidade vazia sempre foi um problema grave, porque cria aparência de piedade, mas não produz amor, misericórdia nem verdadeira transformação.

A Bíblia declara: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” Mateus 7:1

E também:

“Tu, pois, que julgas a outrem, por que não julgas a ti mesmo?” Romanos 2:1

Há pessoas que passam o ano inteiro sem evangelizar, sem ganhar uma alma para Cristo, sem visitar um enfermo ou ajudar um necessitado, mas encontram tempo para vigiar a vida alheia e apontar os defeitos dos outros irmãos. Tornam-se especialistas em julgar, enquanto negligenciam aquilo que realmente importa no Reino de Deus.

Quando alguém sobe ao púlpito para orar ou testemunhar, somente Deus tem poder e autoridade para conhecer o interior daquele coração. Tentar humilhar publicamente alguém, insinuando que essa pessoa “precisa viver o que orou”, é ultrapassar um limite espiritual perigoso. É esquecer que apenas Cristo conhece a sinceridade, as lutas e os processos de cada vida.

A Palavra afirma:

“O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” 1 Samuel 16:7

Existe uma enorme diferença entre aconselhar e atacar para humilhar. O verdadeiro servo de Deus corrige com mansidão, não com soberba.

O próprio Jesus alertou sobre aqueles que sustentam uma aparência religiosa, mas não vivem aquilo que pregam:

“Atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los.” Mateus 23:4

Infelizmente, cresce cada vez mais o número de religiosos que ferem pessoas em nome da “santidade”, enquanto ignoram os próprios pecados. Cobram perfeição dos outros, mas escondem suas próprias falhas. Impõem usos e costumes como se fossem maiores do que o amor, a graça e a transformação do coração.

Essa religiosidade excessiva tem afastado pessoas da igreja. Em vez de ganharem almas para Cristo, acabam produzindo o efeito contrário. Quantos deixaram de congregar porque foram machucados por palavras duras, julgamentos precipitados e atitudes arrogantes? Enquanto Jesus atraía pecadores pelo amor e pela verdade, muitos hoje afastam vidas por causa da dureza e do orgulho espiritual. Tolos!

Mas uma verdade permanece: homens falham, Cristo não.

Nenhum religioso tem poder para apagar o chamado de Deus na vida de alguém. Nenhuma crítica humana é maior do que a graça do Senhor. A igreja continua sendo a casa de Deus, mesmo existindo pessoas falhas dentro dela.

A Bíblia diz:

“Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” Mateus 18:7

E também:

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Mateus 5:7

Desistir de Jesus por causa de homens hipócritas seria trocar aquilo que é eterno pelas falhas de pessoas imperfeitas. O foco do cristão deve permanecer em Cristo, porque somente Ele salva, transforma e julga com justiça.

No fim, cada um prestará contas diante de Deus, não pelo cargo que ocupou, mas pelo amor, pela humildade e pelo testemunho que viveu.

Quem tem ouvidos, ouça!

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