O Evangelho não é para acomodados


Vladimir Chaves

“Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito.” (Romanos 15:20-21)

Há uma verdade incômoda nesse texto: muita gente hoje vive um cristianismo completamente oposto ao de Paulo. Enquanto ele fazia questão de ir onde ninguém tinha pregado, muitos fazem questão de ficar exatamente onde tudo já está pronto.

Paulo não queria palco fácil, nem público garantido. Ele queria os não alcançados. Já nós, muitas vezes, preferimos o conforto de ambientes saturados de mensagem, onde ouvir mais uma pregação não muda quase nada, mas nos dá a falsa sensação de dever cumprido.

Isso precisa ser dito com clareza, e eu vou dizer: um Evangelho que não se move, que não alcança, que não incomoda está sendo mal vivido.

Existe uma contradição gritante em dizer que seguimos a Cristo, mas não nos importamos com quem nunca ouviu falar dEle. É mais fácil discutir teologia, usos e costumes, escolher igreja, consumir conteúdo… do que simplesmente ir e falar com quem está longe.

Paulo tinha uma obsessão santa: alcançar os que nunca ouviram. Hoje, muitos têm uma obsessão confortável: permanecer entre os que já ouviram.

E é exatamente por isso que tenho usado, entre outros meios, as redes sociais e este blog: não para falar apenas com quem já conhece a Palavra, mas para tentar alcançar aqueles que nunca abriram uma Bíblia, que nunca tiveram contato real com a mensagem do Evangelho. Porque, se não formos intencionais, continuaremos falando sempre para os mesmos e ignorando quem mais precisa ouvir.

A pergunta que fica não é teórica, é prática e direta:

Quando foi a última vez que você falou de Cristo para alguém que realmente precisava ouvir?

Porque, no fim, o Evangelho não foi feito para girar em torno de nós. Foi feito para chegar a quem ainda não chegou.

E, enquanto isso não for prioridade, estaremos muito mais perto da comodidade do que do exemplo de Paulo.

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