Quando a Igreja perde o temor, cumprimento silencioso de Mateus 24:12


Vladimir Chaves

Jesus deixou avisado, e não foi de forma simbólica, nem difícil de entender. No capítulo 24 do Evangelho de Mateus, Ele falou sobre guerras, enganos, perseguições e sinais que antecederiam tempos difíceis, mas entre todos os avisos, um deles é talvez o mais assustador, porque não fala de algo que acontece fora, e sim dentro do coração das pessoas:

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)

Essa profecia não descreve apenas o mundo distante de Deus. Ela descreve um tempo em que o pecado se tornaria tão comum, tão aceito, tão repetido, que até aqueles que conhecem a verdade começariam a perder a sensibilidade espiritual. O problema não seria apenas a existência da iniquidade, mas a sua multiplicação. O erro deixaria de ser exceção e passaria a ser regra. O que antes causava temor passaria a causar indiferença. O que antes entristecia o coração, agora já não provoca reação alguma.

O esfriamento espiritual começa exatamente assim: quando o pecado já não incomoda mais.

Nos dias atuais quase tudo é permitido, quase tudo é justificado, quase tudo é relativizado. A verdade é tratada como opinião, a santidade como exagero, e o temor a Deus como coisa do passado. As pessoas continuam falando de fé, continuam frequentando cultos, continuam usando o nome de Deus, mas o coração já não está no mesmo lugar. A aparência permanece, mas o amor diminui. A prática continua, mas a reverência desaparece.

Jesus não disse que as igrejas ficariam vazias. Ele disse que o amor esfriaria.

E isso é ainda mais sério.

Porque significa que pode haver culto sem presença, palavra sem autoridade, louvor sem quebrantamento, e religião sem transformação. Pode haver movimento, barulho, emoção, eventos, agendas cheias, mas pouco temor de Deus. O esfriamento espiritual não faz necessariamente a pessoa sair da fé, muitas vezes faz ela permanecer, porém sem vida, sem fervor, sem compromisso verdadeiro.

O perigo maior dos últimos tempos não é a perseguição, é a acomodação.

Não é a falta de religião, é a falta de temor.

Não é a ausência de culto, é a ausência de Deus no coração.

Quando a iniquidade se multiplica, o coração vai se acostumando. Primeiro a pessoa tolera, depois aceita, depois pratica, e por fim já não consegue mais perceber que se afastou. O pecado repetido endurece a consciência. A desobediência constante apaga a sensibilidade. E quando o amor por Deus esfria, tudo começa a parecer normal, até aquilo que antes seria impensável.

O mais assustador nessa profecia é que Jesus disse que isso aconteceria com muitos.

Não com poucos.

Não com casos isolados.

Mas com muitos.

Isso mostra que o esfriamento espiritual não seria algo raro, seria algo comum nos últimos tempos. Pessoas que um dia tiveram fervor, hoje vivem na indiferença. Pessoas que um dia tiveram temor, hoje vivem na superficialidade. Pessoas que um dia choravam na presença de Deus, hoje já não sentem mais nada.

E quando o coração deixa de sentir, é sinal de que algo se perdeu no caminho.

Mas no meio dessa profecia existe também um aviso de esperança. Logo depois de dizer que o amor de muitos esfriaria, Jesus declarou que aquele que perseverar até o fim será salvo. Isso significa que, mesmo em um tempo de frieza espiritual, ainda haverá quem permaneça firme. Ainda haverá quem não negocie a fé. Ainda haverá quem prefira obedecer a Deus em vez de seguir a multidão. Ainda haverá quem preserve o temor, mesmo quando o mundo inteiro parece ter perdido.

Mateus 24:12 não foi escrito apenas para descrever o futuro, foi escrito para despertar o presente. Cada pessoa precisa olhar para dentro de si e perguntar com sinceridade: meu amor por Deus está vivo ou está esfriando? Eu ainda tenho temor ou estou me acostumando com o erro? Eu ainda busco a presença de Deus ou estou apenas mantendo uma aparência de fé?

O cumprimento dessa profecia não começa nas igrejas, começa nos corações.

E é dentro do coração que também começa o avivamento, se ainda houver arrependimento, temor e desejo verdadeiro de voltar para Deus.

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