Jesus deixou avisado, e não
foi de forma simbólica, nem difícil de entender. No capítulo 24 do
Evangelho de Mateus, Ele falou sobre guerras, enganos, perseguições e sinais
que antecederiam tempos difíceis, mas entre todos os avisos, um deles é talvez
o mais assustador, porque não fala de algo que acontece fora, e sim dentro do
coração das pessoas:
“E, por se multiplicar a
iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)
Essa profecia não descreve
apenas o mundo distante de Deus. Ela descreve um tempo em que o pecado se
tornaria tão comum, tão aceito, tão repetido, que até aqueles que conhecem a
verdade começariam a perder a sensibilidade espiritual. O problema não seria
apenas a existência da iniquidade, mas a sua multiplicação. O erro deixaria de
ser exceção e passaria a ser regra. O que antes causava temor passaria a causar
indiferença. O que antes entristecia o coração, agora já não provoca reação
alguma.
O esfriamento espiritual
começa exatamente assim: quando o pecado já não incomoda mais.
Nos dias atuais quase tudo é
permitido, quase tudo é justificado, quase tudo é relativizado. A verdade é
tratada como opinião, a santidade como exagero, e o temor a Deus como
coisa do passado. As pessoas continuam falando de fé, continuam frequentando
cultos, continuam usando o nome de Deus, mas o coração já não está no mesmo
lugar. A aparência permanece, mas o amor diminui. A prática continua, mas a
reverência desaparece.
Jesus não disse que as
igrejas ficariam vazias. Ele disse que o amor esfriaria.
E isso é ainda mais sério.
Porque significa que pode
haver culto sem presença, palavra sem autoridade, louvor sem quebrantamento, e
religião sem transformação. Pode haver movimento, barulho, emoção, eventos,
agendas cheias, mas pouco temor de Deus. O esfriamento espiritual não
faz necessariamente a pessoa sair da fé, muitas vezes faz ela permanecer, porém
sem vida, sem fervor, sem compromisso verdadeiro.
O perigo maior dos últimos
tempos não é a perseguição, é a acomodação.
Não é a falta de religião, é
a falta de temor.
Não é a ausência de culto, é
a ausência de Deus no coração.
Quando a iniquidade se
multiplica, o coração vai se acostumando. Primeiro a pessoa tolera, depois
aceita, depois pratica, e por fim já não consegue mais perceber que se afastou.
O pecado repetido endurece a consciência. A desobediência constante apaga a sensibilidade.
E quando o amor por Deus esfria, tudo começa a parecer normal, até aquilo que
antes seria impensável.
O mais assustador nessa
profecia é que Jesus disse que isso aconteceria com muitos.
Não com poucos.
Não com casos isolados.
Mas com muitos.
Isso mostra que o
esfriamento espiritual não seria algo raro, seria algo comum nos últimos
tempos. Pessoas que um dia tiveram fervor, hoje vivem na indiferença. Pessoas
que um dia tiveram temor, hoje vivem na superficialidade. Pessoas que um
dia choravam na presença de Deus, hoje já não sentem mais nada.
E quando o coração deixa de
sentir, é sinal de que algo se perdeu no caminho.
Mas no meio dessa profecia
existe também um aviso de esperança. Logo depois de dizer que o amor de muitos
esfriaria, Jesus declarou que aquele que perseverar até o fim será salvo. Isso
significa que, mesmo em um tempo de frieza espiritual, ainda haverá quem
permaneça firme. Ainda haverá quem não negocie a fé. Ainda haverá quem prefira
obedecer a Deus em vez de seguir a multidão. Ainda haverá quem preserve o temor,
mesmo quando o mundo inteiro parece ter perdido.
Mateus 24:12 não
foi escrito apenas para descrever o futuro, foi escrito para despertar o
presente. Cada pessoa precisa olhar para dentro de si e perguntar com
sinceridade: meu amor por Deus está vivo ou está esfriando? Eu ainda tenho temor
ou estou me acostumando com o erro? Eu ainda busco a presença de Deus ou
estou apenas mantendo uma aparência de fé?
O cumprimento dessa profecia
não começa nas igrejas, começa nos corações.
E é dentro do coração que
também começa o avivamento, se ainda houver arrependimento, temor e
desejo verdadeiro de voltar para Deus.



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