A liberdade do Evangelho e o peso da religiosidade


Vladimir Chaves

Há uma grande diferença entre viver o Evangelho de Jesus e viver apenas uma religião. O Evangelho produz liberdade, enquanto a religiosidade cria prisões, divisões, regras e aparências.

Por isso, a liberdade de quem realmente conhece a Cristo muitas vezes incomoda aqueles que ainda são escravos de sistemas religiosos. Quem experimentou a graça de Deus não vive tentando merecer o amor do Pai, pois sabe que a salvação é um presente divino.

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)

A graça irrita os que acreditam que sua aceitação diante de Deus depende de regras, tradições ou méritos pessoais. Foi exatamente isso que aconteceu nos dias de Jesus. Os fariseus não suportavam a liberdade com que Ele ensinava, porque sua mensagem confrontava um sistema baseado em aparências.

Jesus disse: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim." (Mateus 15:8)

Quem anda verdadeiramente com Deus não precisa viver provando sua espiritualidade. O relacionamento com Cristo produz frutos que falam por si mesmos.

"Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:20)

A verdadeira conversão não é uma encenação para ser admirada pelos homens, mas uma transformação interior realizada pelo Espírito Santo.

"Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder." (1 Coríntios 4:20)

A fé simples também assusta os que fizeram da doutrina uma plataforma de orgulho. Conhecer muitas regras não é o mesmo que conhecer a Deus. É possível falar de santidade sem viver em comunhão com o Senhor.

O apóstolo Paulo advertiu: "O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." (2 Coríntios 3:6)

E ainda: “Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes." (2 Timóteo 3:5)

Quem tem intimidade com Deus não precisa anunciar constantemente que é santo ou convertido. Sua vida demonstra isso naturalmente.

Jesus ensinou: "Guardai-vos de fazer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles." (Mateus 6:1)

A verdadeira espiritualidade não vive de aparências, mas de relacionamento. Não se mede pelo tamanho do discurso, pela quantidade de regras ou pelo reconhecimento das pessoas. Ela é percebida na humildade, no amor, na obediência e na comunhão com Cristo.

Por isso, se a sua liberdade em Cristo incomoda os religiosos, não se surpreenda. O próprio Jesus foi rejeitado pelos que defendiam uma religião sem vida. Continue firme, porque:

"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não submetais, de novo, a julgo de escravidão "(Gálatas 5:1)

E onde a graça de Deus reina, não há necessidade de máscaras, nem de provas de santidade, pois quem anda com Deus carrega em si o testemunho de uma vida transformada.

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