Entre a lenha e a cruz


Vladimir Chaves


Há um caminho que começa em silêncio, sobe um monte e carrega uma pergunta que atravessa os séculos: até onde vai a fé?

No Monte Moriá, Abraão caminha com Isaque. Nos ombros do filho, a lenha. No coração do pai, um teste impossível de explicar. Tudo parece apontar para o fim… até que Deus intervém. Um cordeiro aparece. Isaque vive. O sacrifício é substituído.

Ali, Deus mostra algo: Ele não deseja a morte do filho, Ele provê o sacrifício.

O tempo passa. Séculos depois, aquele mesmo monte se torna o centro da adoração (Templo construído por Salomão). Ali, homens oferecem animais continuamente, lembrando que o pecado tem preço, e que sempre é necessário um substituto.

Mas a história não termina ali.

Perto daquele mesmo lugar, outro Pai caminha em direção a um sacrifício. Não é um teste. Não é uma encenação. É real.

O Filho agora não carrega lenha, mas uma cruz.

Não há substituto no último momento.

Não há interrupção.

O Filho é Jesus Cristo.

E, dessa vez, o Cordeiro não é provido para poupar o Filho, o Filho é o próprio Cordeiro.

Se em Moriá Deus poupou Isaque, em Jerusalém Ele entrega Jesus.

Se lá houve livramento, aqui há entrega.

Se lá a história parou antes do sacrifício, aqui ela se cumpre até o fim.

E o que isso revela?

Que Deus não apenas pediu algo ao homem…Ele fez aquilo que o homem jamais conseguiria fazer.

O Deus que um dia disse “não toque no menino” …é o mesmo que, séculos depois, entrega o seu próprio Filho por amor.

Esse paralelo não é coincidência. É mensagem.

Mostra que, desde o princípio, Deus já estava escrevendo uma história de redenção, onde o sacrifício final não viria das mãos do homem, mas do próprio coração de Deus.

E talvez a pergunta hoje não seja mais sobre Abraão…

mas sobre nós: Se Deus foi até o fim por nós, até onde estamos dispostos a ir por Ele?

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