A regeneração espiritual não
é um ajuste exterior nem um simples esforço para se tornar alguém melhor.
Trata-se de uma obra profunda, invisível aos olhos humanos, mas transformadora
em sua essência. É uma mudança que acontece no interior do ser, alcançando o
coração, a mente e o rumo da vida.
Quando Nicodemos procurou
Jesus, revelou uma dificuldade comum a muitos religiosos: compreender as
realidades espirituais apenas a partir de categorias naturais. Ao perguntar:
“Como pode um homem nascer, sendo velho?” (João 3.4), ele demonstrou
estar preso aos limites da lógica humana. Sua compreensão ainda girava em torno
do mérito, do esforço pessoal e do cumprimento de normas, como se a entrada no
Reino de Deus fosse resultado de obras ou desempenho religioso. Contudo, a justiça
de Deus não nasce daquilo que o homem faz, mas daquilo que Deus opera no homem
(Romanos 10.3).
Diante disso, Jesus
apresenta algo novo: não um aperfeiçoamento moral, mas um novo
nascimento. Essa transformação não procede da carne, da religião ou da
tradição, mas do Espírito. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido
do Espírito é espírito” (João 3.6). Fica claro, portanto, que a vida
espiritual não pode ser gerada por meios humanos. A carne pode até produzir uma
aparência de piedade, mas jamais vida espiritual verdadeira.
A regeneração é uma obra
soberana do Espírito Santo. Ao afirmar que é necessário nascer “da água e do
Espírito” (João 3.5), Jesus aponta para uma purificação interior e uma
renovação profunda do ser. Assim como o vento sopra onde quer, o Espírito age
livremente, sem se submeter a esquemas humanos ou controles religiosos (João
3.8). É Deus quem concede vida espiritual, iluminando o interior do homem e
criando algo inteiramente novo (2 Coríntios 5.17).
Quando essa obra acontece,
seus efeitos tornam-se visíveis. Surge uma nova vida, acompanhada por uma nova
conduta. Quem nasce do Espírito passa a viver segundo uma nova natureza, com
novos desejos, nova mentalidade e novos frutos. A antiga vida dominada pela
carne dá lugar a uma caminhada marcada pelo fruto do Espírito, pela obediência
a Cristo, pelo amor sincero e pelo prazer na Palavra de Deus (Gálatas 5.22;
Efésios 4.23).
Assim, a regeneração não é
apenas o início da fé cristã, mas o fundamento de toda a vida cristã. Ela
confirma que o verdadeiro cristianismo não começa no exterior, mas no coração;
não depende do esforço humano, mas da graça divina; e não produz apenas mudança
de comportamento, mas uma transformação de dentro para fora, operada pelo
Espírito Santo.



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